Ética, sigilo e LGPD

Prontuário psicológico: o que registrar, quem pode ler e por quanto tempo guardar

Registrar o atendimento é dever ético do psicólogo, e a clínica responde junto pela guarda. Veja o que o CFP exige, o que o paciente pode pedir e por que a resposta sobre o prazo pode ser 5 ou 20 anos.

Equipe Xclinicas

Revisada em 5 min de leitura

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Uma psicóloga de cabelo ondulado e blusa clara escreve num caderno de capa azul na sua mesa, com as poltronas do consultório ao fundo.
Nesta matéria

Em resumo

  • Registrar o atendimento é obrigatório, e a Resolução CFP nº 001/2009 diz o que o registro precisa conter 1.
  • O paciente, ou o representante legal, tem acesso integral ao que foi registrado no prontuário 1.
  • Em equipe multiprofissional o prontuário é único, e o psicólogo registra só o necessário para o trabalho 12.
  • As resoluções do CFP pedem guarda mínima de 5 anos. Para serviços de saúde, o próprio CFP orienta 20 anos 3.
  • O prontuário pode ser eletrônico, desde que o sigilo esteja garantido 1.

Registrar é obrigatório

Todo serviço psicológico precisa de registro. A Resolução CFP nº 001/2009 tornou isso obrigatório, e o registro pode ser feito em papel ou informatizado, sempre com caráter sigiloso 1.

A resolução prevê duas formas. O prontuário, que o paciente pode acessar, é a forma prioritária. O registro documental é usado quando há razões para restringir o compartilhamento das informações com quem é atendido 1.

A guarda é responsabilidade do psicólogo e/ou da instituição onde o atendimento aconteceu 1. Na clínica, isso faz da guarda um assunto da gestão, e não só de cada profissional.

O que o registro precisa conter

Os itens do art. 2º da Resolução CFP nº 001/2009

  • Identificação do paciente ou da instituição.
  • Avaliação da demanda e definição dos objetivos do trabalho.
  • Registro da evolução do trabalho e dos procedimentos técnico-científicos adotados.
  • Registro de encaminhamento ou de encerramento.
  • Cópias dos documentos produzidos para o paciente, com data de emissão, finalidade e destinatário.
  • Documentos de instrumentos de avaliação psicológica, em pasta de acesso exclusivo do psicólogo.

O prontuário reúne os cinco primeiros itens. Os documentos de testes e instrumentos de avaliação ficam fora dele, numa pasta que só o psicólogo acessa 14.

Quem pode ler

Fica garantido ao usuário ou representante legal o acesso integral às informações registradas, pelo psicólogo, em seu prontuário.
Resolução CFP nº 001/2009, art. 5º, II 1

A LGPD chega ao mesmo lugar por outro caminho: dado referente à saúde é dado pessoal sensível, e a pessoa tem direito de acesso aos próprios dados 5.

Dentro da clínica, o acesso segue o sigilo. O Código de Ética coloca o sigilo profissional como dever do psicólogo, para proteger a intimidade das pessoas que ele atende 2. Na prática, a recepção marca a sessão e não lê a evolução, e o profissional que não atende aquele paciente não abre o prontuário dele.

Prontuário em equipe multiprofissional

Quando o paciente é atendido por vários profissionais, o registro é feito em prontuário único 1. E cada um registra só o que é necessário. O Código de Ética diz isso de forma direta:

Nos documentos que embasam as atividades em equipe multiprofissional, o psicólogo registrará apenas as informações necessárias para o cumprimento dos objetivos do trabalho.
Código de Ética Profissional do Psicólogo, art. 12 2

É um equilíbrio delicado. A fonoaudióloga precisa saber que a criança está em terapia e o que isso muda no trabalho dela, mas não precisa ler o conteúdo das sessões. Combine com a equipe o que cada área precisa saber e registre no prontuário único apenas isso.

Por quanto tempo guardar: 5 ou 20 anos?

As resoluções do CFP falam em guarda mínima de 5 anos, prazo que pode ser ampliado por lei, por ordem judicial ou quando o caso pede 16.

Existe também a Lei nº 13.787/2018, sobre prontuário de paciente, que só permite eliminar o prontuário depois de 20 anos do último registro 7. A lei não cita a psicologia. Mas o Manual Orientativo do CFP, publicado em 2025, diz que nos estabelecimentos que prestam serviços de saúde o prazo se estende para 20 anos por causa dela 3.

Os dois prazos, lado a lado
RegraPrazoPara quem
Resoluções CFP nº 001/2009 e nº 06/2019 Prazo Mínimo de 5 anos Para quem Todo registro de serviço psicológico
Lei nº 13.787/2018, segundo o Manual Orientativo do CFP Prazo 20 anos a partir do último registro Para quem Prontuários de estabelecimentos que prestam serviços de saúde

Prontuário eletrônico

O registro pode ser informatizado: a resolução fala em registro “em papel ou informatizado” 1. Nenhuma resolução do CFP exige certificado digital para o prontuário eletrônico. A Lei nº 13.787/2018 pede o certificado em outra situação: quando um prontuário que nasceu em papel é digitalizado 7.

O que pedir de um prontuário eletrônico

  • Senha pessoal e intransferível para cada profissional 3.
  • Acesso por permissão: cada um abre só o que precisa.
  • Registro de quem abriu e de quem alterou cada prontuário.
  • Cópia de segurança e um jeito de exportar os dados, se um dia a clínica trocar de sistema.
  • Proteção à altura de um dado sensível, como pede a LGPD 5.

Fontes

Os números ao longo do texto levam a estas fontes.

  1. 1
    Resolução CFP nº 001/2009: obrigatoriedade do registro documental

    Norma oficialConselho Federal de Psicologia

  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5
    Lei nº 13.709/2018, Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais

    Norma oficialPresidência da República (Planalto)

  6. 6
  7. 7
    Lei nº 13.787/2018: digitalização e guarda de prontuário de paciente

    Norma oficialPresidência da República (Planalto)

Publicada em 3 de outubro de 2026 · Revisada em 3 de outubro de 2026. Conteúdo informativo. Não substitui a orientação do seu conselho regional, do seu contador ou de um advogado.

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